Com nova proposta, COPEL “rasga” compromisso firmado com os trabalhadores

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PLR Copel 2014

 

Mais para os acionista, menos para os trabalhadores

A Copel encaminhou nesta semana a minuta para o acordo específico de distribuição da Participação dos Lucros e Resultados para os trabalhadores da empresa referente ao exercício de 2014. Na proposta, o montante a ser distribuído entre os mais de 8,5 mil trabalhadores é de R$ 90 milhões, com valor aproximado de R$ 10.500 por funcionário.

Até setembro deste ano, o lucro líquido da Copel foi de mais de R$ 1 bilhão, o que representa crescimento de mais de 15% em comparação ao mesmo período de 2013. Em outubro deste ano, o Conselho de Administração da empresa aprovou o pagamento de R$ 380 milhões aos acionistas da empresa, até 21/11, relativos a antecipação de Dividendos e Juros sobre Capital Próprio, correspondente a 50% do lucro líquido da Copel. Em 2012, o repasse para os acionistas era de pouco menos de 40%.

Enquanto que o lucro da empresa e os repasses para os acionistas aumentam, a participação dos empregados da Copel, principais responsáveis pela lucratividade e desenvolvimento da empresa, diminui. Em 2010 o PLR dos funcionários correspondia a 25%, em 2011 caiu para 11%, em 2012 ficou em 10%, e neste ano, tendo em vista ao lucro líquido da empresa até setembro, ficará em menos de 10%.

Para o economista do Dieese, Fabiano Camargo, o aumento dos repasses aos acionistas e a diminuição da participação dos trabalhadores nos lucros da empresa é parte de uma política agressiva de aumento dos lucros e diminuição das despesas para distribuição entre os acionistas. “Ao que tudo indica, a condução da empresa está orientada exclusivamente para reduzir despesas, aumentar receitas e por fim impulsionar sua lucratividade para distribuir maiores recursos aos seus acionistas, lembrando que grande parte das ações da Copel que tem preferência para o recebimento de proventos estão na Bolsa de São Paulo ou na Bolsa de Nova Iorque, favorecendo os especuladores do capital financeiro nacional e internacional”.

Frente a postura mercadológica que vem se consolidando ano após ano na Copel, o economista questiona quando serão contemplados os trabalhadores da empresa e os consumidores, que, apesar das altas tarifas de serviços, não veem seus benefícios e suas condições de trabalho aumentarem na mesma velocidade do avanço dos ganhos repassados aos acionistas.

“Segundo representantes do governo estadual e da própria empresa os acionistas devem passar a ganhar mais dividendos, para que a empresa possa se ajustar as “políticas de mercado” realizadas por outras empresas do setor, elevando ainda mais a participação dos proventos para acionistas sobre o lucro líquido da companhia. Logo, conclui-se que a política de administração da empresa está voltada para o mercado financeiro para remunerar os acionistas (que aumentaram seus ganhos não somente com expressivo aumento da lucratividade da empresa nos últimos anos, mas também devido ao aumento do percentual do seus proventos sobre o lucro líquido, alterados pelo governo estadual recentemente, que eram de 25%, passaram para 35% e atualmente estão em 50%), em detrimento da modicidade tarifária, remuneração dos trabalhadores ou mesmo do desenvolvimento econômico e social do Estado do Paraná”, critica Camargo.

Na minuta da proposta, além dos itens referentes ao PLR, está contemplado o pagamento de fundo assistencial a ser repassado pela empresa aos sindicatos, no valor de R$ 50 por trabalhador representado pelas entidades, a serem pagos até 5 dias após o fechamento do acordo.

 

tabela 1

Desde o início de 2014, os sindicatos vinham negociando com a empresa uma proposta de participação nos lucros e resultados que resgatasse o modelo baseado no cumprimento de metas nas áreas técnicas e financeira da empresa.

A proposta que vinha se desenhando em consenso entre a empresa e os sindicatos, por meio de escalonamento de metas e produtividade, possibilitaria a motivação dos trabalhadores da Copel, uma vez que os valores a serem recebidos na distribuição da PLR seriam proporcionais aos lucros da empresa, ao contrário da proposta original da Copel, em que os lucros não alterariam os valores a serem distribuídos.

 

Com nova proposta, empresa “rasga” compromisso firmado com os trabalhadores

Referente a participação dos lucros e resultados de 2014 e 2015, a proposta em negociação até o final de novembro deste ano seguia os seguintes critérios de distribuição:

Tabela2

 

De forma unilateral, a empresa alterou drasticamente o rumo da negociação, apresentando nesta semana uma minuta de acordo que não foi discutida na mesa de negociação com os sindicatos. A empresa, em reunião com o Coletivo Sindical da Copel nesta terça-feira (2), a Copel retirou a proposta oficializada aos Sindicatos em reuniões anteriores.

“De forma unilateral, a empresa voltou atrás e praticamente rasgou o compromisso firmado com as entidades e apresentou uma proposta que não motiva os funcionários a aumentarem a produtividade.” É uma proposta que contempla o lucro da empresa, e nem mesmo leva em consideração o percentual pago aos acionistas como dividendos, não observa cumprimento de metas, nada é levado em consideração para o que propôs, principalmente a Lei 10.101 que regula a distribuição de lucro no país”, critica o coordenador do Coletivo Sindical da Copel, Claudeir Fernandes.

Sindicatos realizam assembleias para votação do PLR

Entre os dias 4 e 18 de dezembro, os sindicatos que compõem o Coletivo Sindical da Copel realizarão, em todo o Paraná, assembleias para votação da proposta da empresa para o acordo específico de Participação nos Lucros e Resultados 2014. As assembleias serão unificadas, e as urnas serão abertas no dia 19 de dezembro, às 13 horas, no Km 3, em Curitiba.

 

 

 

 

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